Como D&D conseguiram estragar a história de Game of Thrones?

Analise feita até o episódio 4 de Game of Thrones.

– Primeiramente, estou completamente exausto de fazer vista grossa com as múltiplas falhas nos roteiros de D&D (David Benioff e Dan Weiss) (e foram eles que escreveram esse episódio pessoalmente). Como dizem, o diabo está nos detalhes – a força de Game of Thrones vinha justamente dos detalhes graças ao incrível mundo que George R. R. Martin criou e D&D destruíram. Então não, não vou poupar nos detalhes.

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– O começo foi bom. Só não entendi porque o Jon fez o discurso dele virado de costas para os sobreviventes de Winterfell.




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– A porção da festa em geral foi boa. Nessas últimas temporadas, Game of Thrones tem conseguido manter uma boa qualidade na interação entre personagens. O episódio 2 foi todinho basicamente só isso e foi magnífico. O problema é quando GoT parte para a história de fato – essa já está perdida.

– Solidão da Daenerys foi bem retratada. Que pena que a série matou prematuramente Ser Barristan Selmy, não?

– Primeira falha de atenção ao detalhe que prejudica o worldbuilding da série: Gendry Rivers, o que? Por acaso ele é das Riverlands? Bastardo nascido e criado em King’s Landing tem o nome de Waters. O nome dele era Gendry Waters (na verdade era só Gendry, já que Robert nunca o reconheceu como seu filho bastardo). Por que mudar isso, D&D? Para serem diferentões?

– Desejo boa sorte ao Gendry para tentar convencer os senhores da Tempestade a se curvarem para um ferreiro bastardo que não entende nada de nada. Mas é claro que a série não vai tocar nisso. Pelo menos não deram Ponta Tempestade para a Brienne ou para o Davos (aliás, quando que a família do Davos vai aparecer, hein?)

– Saindo um pouco da ordem, mas aproveitando a pegada da política feudal, o que está acontecendo em Dorne? D&D mencionaram um novo Príncipe de Dorne que jurou lealdade à Daenerys. Oi? Que? Quando? Quem? Como? Por que??? D&D tiveram a brilhante ideia de fazer os Martells se exterminarem uns aos outros e ainda colhem os frutos de seu gênio. Dorne continua sendo o pior arco da série e muito possivelmente uma das piores adaptações livro-mídia visual de todos os tempos.

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– Também mencionaram Riverrun de novo. O que aconteceu com as Riverlands depois que os Freys todos morreram? Onde está Edmure Tully? Quem controla Riverrun?




– Roteiristas criando maior climão falando que a Brienne é virgem. Desnecessário.

– Não houve um sobrinho aleijado de Daeron Targaryen. D&D inventando Targaryens sempre quando querem, apesar de haver uma história bem definida nos livros.

– Finalmente houve uma cena entre o Sandor e a Sansa. Só demorou 4 episódios para acontecer. Mais uma vez colocam a Sansa como produto de seu sofrimento, justificando as escolhas idiotas que D&D fizeram para o seu personagem. Nada de novo no front, de resto foi um diálogo totalmente esquecível (eu já esqueci).

– O Paradoxo Bronn: se Bronn não está prestando serviço à Daenerys enquanto a guerra está rolando, quem garante que ele vai receber o castelo dele no final? Ainda mais considerando que ele estava completamente desiludido com as promessas dos Lannisters a ponto de estar pronto para matar seus dois melhores amigos? Aliás, D&D esqueceram que o próprio Jaime havia oferecido Highgarden para o Bronn na temporada passada?

– Mais uma vez, como para Gendry, desejo Bronn boa sorte em tentar estabelecer seu domínio feudal sobre os orgulhosos lordes da Campina que nem toleravam os Tyrells direito, e os Tyrells eram uma família antiga e já entrincheirada na Campina há séculos. Naturalmente, D&D não ligam.

– O Paradoxo dos Selvagens: por que os selvagens eram conhecidos como selvagens? Porque tentavam conquistar a Muralha de vez em quando e estavam sempre saqueando o Norte à procura de recursos e riquezas. Porque as suas terras eram uma bosta, onde nada crescia e sempre era inverno, basicamente. Agora os selvagens finalmente conseguiram passar pela Muralha e ter acesso às melhores terras, ainda mais com o apoio dos Starks de Winterfell. O que os selvagens fazem? Isso mesmo: voltam para o lugar de bosta deles porque D&D têm essa mesma bosta na cabeça.

– O que mais tem ao norte de Winterfell e ao sul da Muralha são terras sem ninguém, graças ao Rei da Noite. Mas os selvagens escolhem voltar para Castle Black e, pelo que deu a entender, para além da Muralha. Sete Infernos.




– Não vou nem comentar a cena do Jon mandando o Fantasma embora. Se era para aparecer desse jeito, era melhor o lobo ter permanecido sumido como antes.

– Sam Tarly é um homem da Night’s Watch. Homens da Night’s Watch não devem ter filhos. Quando que alguém vai dizer isso? O Jon nem mencionou? O que aconteceu com a Night’s Watch? Por que o Sam ainda está vestido de negro? Se ele está fora, por que não virou Lorde Tarly?

– Aliás, o arco da Night’s Watch vai ficar sem conclusão mesmo? Desapareceram?

– O exército dos vivos perdeu só metade dos seus homens? Não foi o que pareceu no episódio 3. Mas ok, D&D criam e descriam exércitos sempre quando acham válido – que nem a Night’s Watch, aparentemente.

– Como andam fazendo nessa temporada, D&D cortam cenas importantes de diálogo porque não sabem o que escrever. No primeiro episódio cortaram a Daenerys antes de ela acabar de ameaçar a Sansa. No segundo episódio cortaram a cena delas juntas antes que a Dany pudesse responder à pergunta “What about the North?”. No final do mesmo cortaram a cena Jon x Dany nas criptas. Agora cortaram a cena da Sansa e da Arya descobrindo que o Jon não é irmão delas. Por que, cara? Qual é a razão? Me choca que D&D não cortaram também a reação do Jon ao descobrir que é bastardo de Rhaegar e Lyanna (sim, é bastardo, D&D, não importa quanta fanfic vcs escrevam).




– Arya em 1º momento: nós somos uma família! Arya em 2º momento: partiu King’s Landing, adeus Winterfell, até nunca mais!

– Essa foi a parte boa do episódio. Vamos para a parte ruim.

– Então você quer me dizer que o Euron consegue acertar três arpões em seguida em um dragão em pleno voo?

– Então você quer me dizer que a Daenerys, do alto do céu, foi incapaz de ver a frota Greyjoy escondida atrás de uma ilhota?

– Então você quer me dizer que a Daenerys nunca considerou a possibilidade de que era uma má ideia navegar para Dragonstone sendo que eles sabiam que o Euron controla os mares por lá?

– Então você quer me dizer que o Rhaegal não foi morto pelo irmão dragão zumbi na apocalíptica Batalha da Alvorada lutando pelo destino do reino dos homens apenas para morrer no episódio seguinte em poucos segundos para os arpões mágicos de Euron Greyjoy?

– Então você quer me dizer que é tão fácil matar dragões assim? Me espanta que Aegon tenha conquistado Westeros trezentos anos atrás.

– Daenerys deveria ter voado diretamente para King’s Landing e tacado fogo em tudo depois da morte do Rhaegal. Fogo e Sangue.

– Jaime voltando para Cersei: oi? What the fuck? Se for para se juntar a ela e não matá-la logo de cara, Jaime será o maior exemplo de character assassination que D&D cometeram desde Stannis Baratheon.

– Como que o Team Dany sabia que a Missandei havia sido capturada? Euron fez propaganda, mandou no zap?

– Varys é fiel a Jon Snow? REALLY? O que Varys sabe de Jon Snow? Quando que conheceu Jon Snow? Quando que eles compartilharam pelo menos uma cena juntos? Nunca conversaram. Varys nunca o viu governar. Da onde os roteiristas tiram essas ideias malucas?

– Bobagem essa de ficarem criando intrigas em cima do casamento entre Jon e Daenerys. Ela vai precisar se casar para ter filhos e continuar a dinastia. Com quem vai se casar, com o Torta Quente agora? Torta Quente ❤




– Aliás, já houve casamentos entre tios e sobrinhas entre os Starks. Os irmãos Jonnel e Edric Stark casaram-se com as suas sobrinhas Serena e Sansa Stark uns 150 anos atrás para tentar por fim a uma crise sucessória, visto que o pai delas, Rickon, herdeiro de Winterfell, havia sido morto na conquista de Dorne. Não me espantaria se GRRM colocou especificamente esses casamentos na história justamente para essa situação que foi levantada na conversa entre o Tyrion e o Varys. Aliás, casamentos entre tios e sobrinhas não eram exatamente incomuns na nossa própria história. Dom Pedro I era neto de D. Maria I de Portugal, que foi casada com seu tio, D. Pedro III, justamente para evitar uma crise dinástica.

– Repetem mais uma vez a besteira que a Rebelião de Robert foi construída em cima de uma mentira. Imagino que o Rei Louco queimando o Lorde de Winterfell e seu herdeiro e pedindo a cabeça de Ned e Robert não influenciou nadinha isso aí.

– Dany é uma mulher emotiva que está ficando louca. Portanto, precisa de um homem racional para socorrê-la.

– Dany é uma mulher emotiva que está ficando louca. Portanto, precisa de um homem racional para socorrê-la.

– Opa, desculpa se eu me repeti, mas esse absurdo não desce. Desrespeitaram a Daenerys, desrespeitaram a sua trajetória, desrespeitaram até mesmo todo o “girl power” que eles tentaram fazer na temporada passada (Dany, Olenna Tyrell, Cersei e as Martells). Machismo desses bostas chamados D&D aparecendo mais uma vez para clamar mais uma vítima inocente.

– Por que a Cersei não matou o Tyrion?

– Por que a Cersei não matou a Daenerys?

– Por que a Cersei matou desnecessariamente a única coisa entre ela e Dracarys?

– Euron não suspeita nadinha depois do Tyrion revelar que sabia que a Cersei estava grávida? Sendo que o próprio Euron só ficou sabendo minutos antes?




– D&D realmente acabaram com o apocalipse para podermos ter a Cersei sorrindo maldosamente nos últimos três episódios? É sério isso?

– Euron capacho de Cersei. Euron da série é outro personagem por completo, deveriam ter mudado o nome dele na adaptação que nem fizeram com a Asha (Yara).

– Nada de reviravolta com o Rei da Noite. D&D nos fazem de trouxas.

– Por fim: cadê o inverno??? Parece que King’s Landing está nos trópicos.

– Cancelem esse e os próximos dois episódios. Deixem GoT terminar no episódio 3, pelo menos assim teríamos algo minimamente satisfatório. D&D continuam a insultar a inteligência do espectador.

– Pelo menos a música nunca deixa a desejar.




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Fonte: desconhecida

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